Filósofo dis que URSS não lidera PCs

Paris "O que aconteceu na Conferência dos Partidos Comunistas Europeus, no fim de junho último, é bem mais importante do que o XX Congresso do PO Soviético, que, em 19 58, 'denunciou Stalin sem criticar realmente o sistema que gerou o stalinismo" afirmou o filósofo marxista Roger Garaudy, expulso do PC Francês em 1970.

Em artigo publicado no Le Monde, sob o título "Dessacralização do mito soviético e esperança eoclalista", Garaudy congratulase pelo fato de ter Georges M a rchais, secretárlo-geral do PCP, retomado os temas essenciais de Enrico Berlinguer, dò PC Italiano, e Santiago Carrlllo, do PC Espanhol (os mesmos temas que levaram Garaudy à expulsão do Bureau Político da PCP), "o que constitue a início de um possível pro-. gresso político".

Garaudy escreve, entre outras coisas, que "o essenciai é considerar essa dessacralização da política soviética não como ponto de chegada mas como ponto de partida para um renascimento do socialismo. Resgatada a hipoteca "staliana", o movimento comunista -pelo menos a parta que não está sob ocupação soviética -poderá conhccer uma nova primavera".

Temor tira jornalista de Moscou

Moscou -O jornalista norte-americano Alfred Friendly, correspondente do semanário Newsweek, viajou ontem de Moscou para Viena, sem indicar se volta-, rá. A notícia surpreendeu j o r n alistas e diplomatas ocidentais na União Soviética, pois se esperava que Friendly .tivesse a intenção de acompanhar até o fim o processo que move contra a revista Literaturnaia Gazcta.

Acusado pela publicação soviética de ser um agente da CIA, o serviço secreto dos Estados Unidos, o jorn alista recorreu à Justiça de Moscou em defesa de sua honra profissional. Sustentou diante do Tribunal que a Literaturnaia .Gazeta praticara um atentado contra sua dignidade, difamara sua honorabilidade e sua reputação de jornalista. Friendly pediu ao Tribunal que imponha à revista "uma retratação em que afirme que suas acusações não correspondem à veidade" e que os editores devem apresentar desculpas.

ACEITO O DESAFIO

Recolhendo a luva lançada por Friendly, a Literaturnàia Gazeta sustenta agora que o jornalista norte-americano não resolverá as coisas tão facilmente e será condenado. "Possuímos um material de tal modo convincente sobre o trabalho desse "correspondente" que, estamos certos, haverá não apenas uma condenação moral deste senhor mas também um castigo penal, como é previsto nas leis soviétlcas."

Arevista acusou de espionagem não só Friendly, mas também outros correspondentes norte-americanos: Chrlstopher Wren, do New York Times, Georges Krimsky, da agência Associated Press, em oportunidades diferentes, desde 26 de maio a fins de junho último. Os outros dois jornalistas envolvidos no caso não se uniram à ação penal promovida por Friendly.

Vaticano negocia com Praga

Cidade do Vaticano - Viajou para Praga, a fim de iniciar colóquios com membros do Governo tchecoeslovaco, o Arcebispo Luigl Poggi, Núncio Apostólico com encargos especiais, acompanhado cio Padre John Bukovsky. O encontro fora previsto no término das reuniões em Roma, entre delegações da Santa Sé e tcheco -eslovacas, em dezembro passado.

No Vaticano, a Cúria da Companhia de Jesus anunciou que os seis últimos jesuítas estrangeiros -dois franceses, u m canadense, um italiano e dois espanhóis - abandonaram quarta-feira o Vietnã.

M»dri/UPI

Juan Carlos e La Villa assistem ao juramento de Marcélino Oreja ao Rei, à Igreja e à Pátria

Oposição faz exigências para ajudar Madri

Madri -A Oposição espanhola, ainda ilegal, aceitaria colaborar com o novo Governo se trcs condições fossem cumpridas pelo Premier de imediato: anistia geral e ampla, suspensão do plebiscito marcado para outubro e pronta realização de eleições gerais para apontar os verdadeiros representantes do povo.

Desta forma, o secretário-gcral do Partido Socialista Popular, Raul Morodo, definiu como "o novo Governo prestaria um grande serviço à Nação, estabelecendo uma autêntica reconciliação nacional através da democracia pluralista". Morodo também advertiu que a credibilidade do Governo não dependerá de frases reformistas c, sim, de medidas concretas que viabilizem a ruptura democrática e pacífica".

As reações

_ A maioria das organizações políticas de oposição preferiram aguardar o anúncio do programa do novo Governo para, então, manifestarem-se sobre ele. Versões de que o Premier Suárez González estaria disposto a manter um diálogo aberto com os oposicionistas e, até mesmo, reconhecer coimo legal o Partido Comunista da Espanha, se as coalizões com o PC fossem desfeitas, permanecem ainda como incógnitas.

Esta cautela marcou, até o momento, as reações individuais dos oposicionistas. O democrata-independente Antonio Garcia Trevijano -que esteve preso recentemente por apoiar a Coordenação Democrática, coligação oposicionista -considerou o Gabinete "como uma tentativa de coerência do regiine, desenvolvendo o controle de processo das reformas e dando atenção à situação financeira",

Enquanto a opinião em Madri era de que o Gabinetc, se se tratasse de futebol, seria considerado um "time de segunda categoria", a imprensa preferiu também a prudência nos comentários. O El Pais diário liberal ligado aos ex-Ministros Iribarne e Areilza, "não vê grandes mudanças e acha que "a competência pessoal dos novos integrantes é, contudo, indiscutível".

Joaquim Riuz-Gimenez, da Isquierda Democrática, confessou-se confiante, mas advertiu "serem os perigos de direita mais atuais que os de esquerda". O socialista-popular Ticrno Galván qualificou de "inexpressiva" a nova equipe ministerial, lamentando a ausência de elementos que integravam o Ministério anterior: "Só um Gabinente que se disponha a pôr eim prática uma política audaz, com soluções rápidas e enérgicas poderia dar prestígio e notoriedade a este Governo".

O Arriba, porta-voz da Falange, deu todo seu apoio ao Ministério e o diário católico Ya, que tem veiculado as idéias do Grupo Tácito que ganhou notoriedade na nova equipe -reconheceu não se tratar de um grupo de políticos "que têm a mesma imagem pública do anterior", mas lembrou que se pode esperar muito da juventude e podem surgir surpresas a qualquer momento, a começar por Suárez González".

Falando à imprensa, o novo Ministro da Informação, Andrés Reguera, confessou "não estarem ainda muito claras as metas que procurará pôr cm prática. IVIas estejam certos de que não daremos um passo atrás. Vamos prosseguir na linha da abertura".

Bascos nas ruas

A posse do Ministério coincidiu com a maior manifestação autorizada pelo Governo no pais basco. Cerca de 200 mil pessoas reuniram-se pacificamente em Bilbao, na Biscáia. Um jipe militar e vários policiais abriram a passeata, mantendo discretamente a segurança durante as duas horas em que os manifestantes pediaim "Anistia" e cantavam reiroes pedindo "liberdade e democracia".

A manifestação basca foi organizada pelos três maiores sindicatos na ilegalidade: a UGT e a USO socialistas, e as Comissões Operárias, comunistas, de acordo com a nova lei sobre reuniões.

Gabinete assume sem promessa ou discurso

nPmMnarnlr NU1ra brcve cerin,ônia> sem discursos nem promessas, tomaram ontem posse no Palácio ÍL ph?™ Z^rZU!,a os\19 Ministros do Gabinete Primeiro-Ministro Adolfo Suárez González. O único pronunciamento, foi feito a jornalistas, in01 malmente, após o ato pelo novo titular da Informaçao. Andrés Reguera, que reconheceu ser o Ministério ' de transição". "Estamos

A primeira reunião do Gabinete de Suárez ocorrerá hoje, sexta-feira, mantendo uma tradição dos tempos franquistas. A Secretaria de Imprensa das Cortes desmentiu, por sua vez, versões de que o novo Premier falaria ao plenário desta Casa na próxima terça-feira, dia 13, expondo suas diretrizes políticas antes que os deputados iniciassem o exame da lei que reformará o Código Penal e possibilitará a legalização efetiva de Partidos. "O plenário não está convocado para terça-feira", esclareceu o comunicado.

conscientes -afinr.ou Reguera que nossa missão é a de organizar a Espanha de modo democrático. Deveremos dizer ao povo, o mais rapidamente possível quais serão seus representantes e cm que condições", referindo-se à eleição gcral, marcada para o início do próximo ano.

Democrata-cristão da Itália quer Governo de técnicos

Roma O Deputado dem o c rata-cristão Giuseppe Costamagna afirmou que uma administração apolítica, integrada por "técnicos com grande experiência'', deveria governar a Itália até que seu Partido estivesse preparado (para formar uma coalizão com as demais agremiações não comunistas.

Informou-se que o Prlmeiro-Ministro interino, Aldo Moro, apresentará hoje sua renúncia ao Presidente Giovanni Leone. Na próxlma segunda-feira Leone deverá iniciar as consultas com os líderes políticos para a formação do 39? Governo italiano em 33 anos, a partir da queda do fascis1110.

Em visita a Roma, o Senador norte-americano Jacob Javits declarou que os Partidos italianos de centro estarão "passeando com um tigre" se permitirem a participação dos comunistas no novo Governo. Acrescentou que um plano de recuperação econômica elaborado pelos Partidos centristas poderia conseguir ajuda flnanceira internacional.

TRANSIÇÃO

Costamagna foi o primeiro orador da reunião de parlamentares democratacristãos convocada para debater o futuro da Itália depois das eleições nacionais de 20-21 de junho, quando os comunistas conseguiram 34,4% dos votos.

O parlamentar disse que o Partido Democrata Cristão deveria apoiar um Governo de transição, formado por técnicos escolhidos entre os simpatizantes da DC e integrantes das pequenas agremiações não comunistas.

PASSEIO COM TIGRE

Qual seria a reação dos Estados Unidos se os comunistas participassem do Governo italiano? O Senador republicano por Nova Iorque, Jacob Javits, respondeu que "seria como deixar que uma senhora passeasse com um tigre. Seria o prlmeiro avanço (comunista) na Europa Ocidental e Isto provocaria muitas transformações".

De acordo com a agência UPI, apesar das vitórias comunistas nas últimas eleições, a Democracia Cristã manteve sua supremacia e pode constituir um bloco majoritário com seus aliados na Camara dos Deputados, a fim de formar um Governo sem precisar do apoio das esquerdas.

Ao se referir ao plano de recuperação econômica elaborado pelos Partidos de centro, para conseguir ajuda financeira internacional, o Senador Jacob Javits frisou que ele deveria ser previamente apoiado pelos trabalhadores da Itália.

Londres liberta Sandro Saccucci

Londres -o Deputado do Movimento Social Italiano (neofacista), Sandro Saccucci, foi libertado ontem, depois da revogação do mandado -ele acaba de ser reeleito, voltando a gozar de i m u n !· d a d e parlamentar -pelo qual havia sido preso, mês passado, em Londres. Saccucci é acusado de ter assassinado o jovem comunista Luigi di Rosa, em um comício no inicio de junho último.

A libertação do Deputado foi decidida por um juiz da

Corte londrina de Bow Street em conseqüência da revogação, por parte das autoridades italianas, d o mandado de captura e do pedido de extradição à policia britanica. Para que os policiais voltem a agir legalmente contra o Deputado neofacista será necessária uma nova autorização do Governo italiano. Uma vez libertado, Saccucci partiu com sua mãe de automóvel para rumo desconhecido.

Terror pode ter breve arma nuclear

Londres -é apenas uma questão de tempo até que um grupo terrorista consiga plutònio suficiente para fabricar uma arma nuclear, advertiu o cientista britanico Brian Flowers, presidente da Comissão Real de Contaminação Atmosférica, citando o caso da incursão israelense em Uganda como exemplo da audácia provocada pela instabilidade politica.

Em entrevista ao jornal Financial Times, Flowers afirmou que o plutònio oferece uma arma única e poderosa àqueles que estejam bastante decididos a impor sua vontade e acusou o Governo de não dar suficiente atenção aos problemas de segurança causados pela posse abundante deste mineral.

Bispo é assassinado em Argel

Argel -Foi assassinado ontem em Argel o Bispo Auxiliar da Arquidiocese, Monsenhor Gaston Marie Jacquier, de 72 anos. O Arcebispado que deu a notícia, não revelou a s circunstancias em que se deu o crime, nem revelou a identidade do criminoso.

Monsenhor Gaston Jacquier nasceu em Evian, na França. Cursou a Escola de Saint Eugéne e o Seminário Mario de Argel e foi ordenado em 1926. Vigário da Catedral de Argel e mais tarde arquivista da arquidiocese, foi designado Chanceler em 1936 e Vigário-Geral em 1946.

Em 1960, Monsenhor Jac. quier foi eleito Bispo titular de Sufasar da Mauritânia e Auxiliar do Arcebispo de Argel, tendo ascendido ao episcopado no ano seguinte.

Governo de Soares vai se instalar sob crise

Lisboa -O Ministro das Finanças, Salgado Zenha, um dos principais homens do PS, está assumindo a carga de impopularidade que as medidas de emergência fatalmente carregam, e com isso pretende aliviar o Governo socialista que se instalará sob a chefia de Mário Soares.

O racionamento de energia elétrica -com to&as as conseqüências já começou. Os impostos profissional e complementar terão um acréscimo de 10%. O Imposto de capital e a contribuição industrial serão aumentados. E a fiscalização vai apertar para reduzir a evasão e diminuir o déficit das contas do Estado

Gasta-se demais

Segundo o Instituto Nacional de Es·tatistica, os preços de abril a abril subiram 15,5% em Lisboa e 14,1% no Porto (a habitação não está incluída), e os salários tiveram ,no mesmo período, um acréscimo de 14,9% em Lisboa e 22,6% no Porto. Os salários rurais aumentaram 13,7%, mas os alimentos tiveram uma altaãe 18,7%.

Os lisboetas queixam-se do custo de vida, embora uma refeição normal num restaurante de luxo ainda custe a metade de uma equivalente nos arredores da Praça Mauá no Rio.

O restaurante Tavares, freqüentado por Eça de Queirós e onde se tramou a queda da Monarquia, ainda mantém o preço da Fiorentina na Atlantica, com um serviço de cinco estrelas em qualquer parte do mundo. Mas o próprio Tavares foi obrigado a uma "reconversão" e criou em andar superior um anexo com serviço menos sofisticado -custa quase a metade do tradicional -conhecido como Tavares M-L (marxista-leninista).

Os restaurantes da Baixa continuam tão cheios como antigamente, mas é fácil conseguir lugar para almoço. Explica-se: as empresas do centro não têm refeitório e as pessoas moram longe. Assim, recebem vales para almoçar perto de seus empregos. Isso não explica a pequência no jantar. Os mesmos restaurantes, de qualidade média, estão lotados à noite.

Os restaurantes de luxo não. Estes estão às moscas, com mais empregados que clientes. A clientela áo Tavares tradicional, áo Pabe, da Varanda do Chanceler e seus equivalentes -com a exceção do Gambrmus, freqüentado por jovens e políticos que já ali iam quando estudantes está no exterior ou era turísta que deixou de vir a Portugal.

E as lojas de luxo e importadores não diminuíram seu movimento. Algumas inclusive aumentaram o faturamento: temendo os efeitos da inflação, as pessoas estão gastando o que ganham não em coisas duráveis, mas predominantemente nos supérfluos.

Assim, a atividade da construção civil ainda está praticamente paralisada por falta de compradores, mas os níveis de licenciamento de automóveis mantêm-se. Os depósitos bancários não alcangaram os índices de 1974 e a venda de títulos, embora ofereça atrativos, não oferece garantias.

E' sintomático que a atividade industrial esteja em crise e a comercial em alta.

Indústria do turismo

José Silveira Enviado especial verão. No Estoril, apenas o cassino tem movimento, è fácil estacionar em todos os lugares de luxo e a gravata e o paletó nao sa0 mais exigidos. Mas o Hotel Estorll-Sol está nas mesmas condições do Bata. Poucos automóveis circulam pela oela_ escada costeira. O turismo diminui e poe em risco a subsistência de milhares de pessoas.

Eis os números: em 1975 o aeroporto legi trou o mais baixo movimento dos Últimos quatro anos. Em relação a 1973 houve uma queda de meio milhão de passageiros. Em 1975 entraram 2 milhões dj turistas - menos 25% que no ano anterio".

Os Estados Unidos foram o pais que provocou a maior queda -menos 56% seguido da Grã-Bretanha (26%) e dct França (22%). A Iugoslávia mandou a Portugal 25% a mais de turistas, seguida da Grécia (19%) e da Noruega (12%) Houve uma queda de 41% nas receitas.

Conjuntura industrial

Segundo um relatório pormenorizado da Confederação da Indústria Portuguesa. "o relançamento da atividade continua a se mostrar difícil a despeito de, em alguns setores, terem sido registrados alguns sinais encorajadores".

O relatório se refere ao primeiro quadrimestre e foi elaborado mediante uma "folha de conjuntura" com base nas respostas '2 questionários enviados ao setor. Os custos de produção, o aumento dos encargos com pessoal, o encarecimento das matérias-primas e a quebra da produtividade -pela ordem -são a. z: js como causa da tendência.

Na indústria extrativa, a situação mantém-se estacionária -baixa -já que a construção civil, que compra brita e mármores, está em crise. Já para exportaçãa há uma leve melhoria -caso da volframita. O decréscimo é originado pela redução de seis para cinco dias de trabalho semanal. As indústrias alimentares continuam em franca recuperação, embora tenham perdido o mercado externo das ex-colônias africanas.

A utilização da capacidade instalada na indústria têxtil é considerada fraca. Há temor, no ramo exportador, ante as medidas protecionistas dos países impor* tadores. Na indústria de malhas e confecção de vestuário a crise é só de matérias-primas. O volume de produção utiliza quase que totalmente a capacidade instalada. A indústria de calçados, porque não tem escala e depende do mercado externo, não suportou o "impacto das transformações laborais" e está em crisa aguda.

A indústria de madeiras também depende da construção civil e está em situação critica. A indústria da cortiça deixa transparecer relativa reanímação, particularmente as empresas de porta elevado.

A indústria de mobiliário, setor voltado para o mercado interno, apresenta-se em boa situação. Segundo um relatório da Confederação, "a melhoria dos rendinieatos de determinados estratos sociais foi aplicada, muna boa parcela, na aquisição e substituição de mobiliário doméstico." Nenhum empresário inquirido (o setor fez referência à situação financeira. Queixaram-se da falta de matéria-prima e do agravamento dos custos de produção.

Julho é temporada de veraneio, mas os bares de Cascais fecham à lh 30m por falta de clientes. O Hotel Baia à lh está todo apagado em noite magnífica de

A Confederação ainda não dispõe dos resultadoj dos questionários feitos nas indiistrids químicas, metalúrgicas, de material de transporte, material elétrico e produtos plásticos.

Lei protege multinacionais

Lisboa -Após meses de discussões e várias redações, o projeto de lei regulamentando a constituição das comissões de trabalhadores e o controle operário na gestão das empresas de Portugal foi aprovado. Por ele, não pode haver nem comissões nem controle operário nas companhias estrangeiras.

Esta e outras restrições foram critlcadas pela Intersindical, que também protestou contra o fato de o Governo não ter consultado previamente as organisações operárias. Comunistas e extrema-esquerda qualificaram o projeto de "caricatura e sombra do que lnicialmente se quis fazer" e para a Gazeta da Semana. a lei é "um presente às multinacionais".

Controle operário

"O controle da gestão não deve afastar-se de seus verdadeiros fins, nem colocar obstáculos ao funcionamento normal das empresas, assim como não deve interferir na atividade dos demais órgãos gestores ou dos responsáveis hierárqulcos das empresas" - estipula o projeto.

O controle operário deve limitar-se aos aspectos econômicos da vida enxpresarial e será exercido por comissões de trabalhadores, eleitas por voto direto e secreto numa assembléia-geral de trabalhadores, à qual assista a maioria dos interessados.

As comissões terão três membros nas empresas de menos de 200 operários, seis nas de até 1 mil e nove nas maiores, e só serão formadas em empresas públicas ou privadas com mais de 50 funcionários.

Ano da austeridade

Foi também anunciado ontem o "ano um da austeridade" em Portugal, depois que o Primeiro-Ministro interino, Comandante Almeida da Costa, destacou que a situação econômica do pais exigirá "medidas draconianas no futuro". Acrescentou: "A situação é muito grave e seria eludir responsabilidades adiar estas medidas para o próximatGoverno".

A Intersindical já advertiu que "os trabalhadores se oporão a uma política de recuperação capitalista que as medidas recentemente adotadas deixam prever" e alertou o Governo e o Conselho da Revolução sobre as conseqüências, "que somente poderão agravar a situação econó)nica e generalizar os conflitos sociais".

Sobre os cortes de luz, aprovados sem discussão pelo Partido Socialista, o Partido Comunista e a União Democrática Popular sublinharam que são necessários, "mas devem ser explicados e os trabalhadores consultados".

O Centro Democrático Social condenou as medidas, perguntando se se trata de "austeridade ou de sabotagem econômica". E a decisão do Ministério do Trabalho de pagar aos operários em inatividade forçada tampouco os tranqüilizou, tendo os empresários, que já lamentam uma diminuição da produtividade, condenr.do o fato.

Não ao PS

O Partido Comunista reafirmou, ontem, em comunicado de sua Comissão Central, que negará seu apoio a um Governo socialista minoritário como aquele que o líder Mário Soares pretende constituir, dizendo que o PCP continua trabalhando para obter um Governo conjunto comunista-socialista.

O comunicado do PCP condena os "brutais aumentos de preços e impostos recentemente propostos pelos ministros socialistas e aprovados pelo Governo apesar da oposição dos comunistas", afirmando que "somente um Governo com participação comunista poderá defender eficazmente as conquistas da revoluçâo".

Referindo-se aos resultados das elei,.oes presidenciais de 27 de junho, a Comissão Central do PCP reconhece ter cometido um erro de apreciação, do qual resultou a perda de 400 mil votos e'm favor do candidato da extrema-esquerda, Major Otelo Saraiva de Carvalho,